Senadores buscam acordo para adiar instalação da CPI da Covid-19

Cúpula teme acirramento da tensão política no país
Por Alexandra Teodoro

Integrantes da cúpula do Senado estão buscando um entendimento para que seja adiada a instalação da  CPI da Covid — que terá como objetivo "apurar as ações e omissões do governo federal no enfrentamento da Covid-19 no Brasil e, em especial, no agravamento da crise sanitária no Amazonas". A apuração é da jornalista Thaís Arbex, da CNN Brasil.

Foto: agencia senadoSenador Randolfe Rodrigues (Rede)
Senador Randolfe Rodrigues (Rede)

Na última sexta-feira (14), o presidente da Casa, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), disse que pretende discutir com os senadores a abertura da comissão. Uma ala do Senado, porém, acredita que uma CPI tensionaria ainda mais o ambiente político no país.

Com o recrudescimento da covid-19 em dezembro de 2020 e janeiro de 2021, as omissões e ações erráticas do governo federal não podem mais passar incólumes ao devido controle do Poder Legislativo”, justifica Randolfe no pedido.

Segundo a assessoria do parlamentar, foram 30 apoios ao requerimento (quando eram necessários 27), entre assinaturas físicas e virtuais, incluindo a do próprio Randolfe.

O requerimento, após protocolado na Secretaria Geral da Mesa (SGM), terá as assinaturas conferidas e precisa ser lido em Plenário. Após a leitura, até a publicação, podem ser retiradas ou acrescentadas assinaturas . Em geral, isso é possível até a meia-noite do dia da leitura. Publicado o requerimento e feito o cálculo da proporcionalidade partidária, o presidente do Senado solicita aos líderes que indiquem os membros da CPI. A comissão só pode ser designada quando mais de 50% dos indicados estiverem determinados pelos líderes. Depois disso, o integrante mais idoso do colegiado convoca a reunião de instalação para escolher presidente, vice e relator.

Omissão
O requerimento apresentado por Randolfe diz que o governo federal tem, durante a pandemia, sistematicamente violado os direitos fundamentais básicos de toda a população brasileira à vida e à saúde. O país, segundo colocado no número de mortes no planeta, tem “dado péssimo exemplo quanto ao controle da pandemia”, com o governo deixando de seguir as orientações científicas de autoridades sanitárias. Randolfe lembra que dois ministros da Saúde, Luiz Henrique Mandetta e Nelson Teich, foram demitidos por não “seguirem as crenças e quimeras na condução das políticas públicas de saúde” do presidente Jair Bolsonaro.