Após ameaça de obstrução de pauta, Lira e oposição selam acordo para a Mesa

Partidos que se opõem ao governo de Jair Bolsonaro vão ocupar dois cargos na linha de comando
Por Alexandra Teodoro

BRASÍLIA —  O novo presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), adiou para quarta-feira a eleição para compor a Mesa Diretora da Casa. A estratégia teve objetivo de ganhar tempo diante da pressão de partidos de oposição, que ameaçaram travar a pauta de votações caso Lira mantivesse a decisão de tirá-los da composição da Mesa. No fim da tarde,  Lira e oposição chegaram a um acordo sobre a nova formação da Mesa, que, além da presidência da Câmara, conta com duas vice-presidências e quatro secretarias, que gerenciam diferentes fatias do orçamento da Casa e têm diferentes atribuições. Partidos de oposição terão direito a ocupar dois cargos na Mesa, além de duas das quatro suplências.

Foto: Globo.comApós ameaça de obstrução de pauta, Lira e oposição selam acordo para a Mesa Diretora da Câmara
Após ameaça de obstrução de pauta, Lira e oposição selam acordo para a Mesa Diretora da Câmara

Após vencer a eleição ontem, Lira anulou a composição da Mesa que havia sido montada e avalizada pelo agora ex-presidente da Câmara Rodrigo Maia (DEM-RJ). Nesta terça, porém, Lira fez uma proposta aos nove partidos que apoiaram a candidatura de Baleia Rossi (MDB-SP), que ficou em segundo lugar na disputa à presidência da Casa.

A primeira vice-presidência ficará com Marcelo Ramos (PL-AM); a segunda-vice presidência ficará com André de Paula (PSD-PE); a primeira secretaria com Luciano Bivar (PSL-PE); a segunda secretaria com Marília Arraes (PT-PE); a terceira secretaria ficará com o deputado Marcelo Nilo (PSB-BA); e a quarta secretaria com Rosângela Gomes (Republicanos-RJ).

Lira ofereceu duas vagas titulares na Mesa, a metade do que estava previsto inicialmente. E manteve as duas suplências que seriam destinadas à oposição. Para o bloco que apoiou Baleia, o movimento de Lira foi interpretado como um recuo após a ameaça de obstrução de pautas, o que poderia gerar um impasse político no início do mandato de Lira no comando da Casa.

—  Arthur Lira procurou o bloco para conversar. A atitude ontem havia sido muito violenta, e isso embaçou sua vitória. Quer recompor. A maioria dos partidos do bloco avalia que devemos fazer essa recomposição. Nesse contexto, o PT sairia da primeira secretaria para a segunda secretaria. Estamos conversando aqui. Se for para manter a unidade dos partidos de oposição, devemos aceitar, sem deixar de cobrar e de continuar denunciando o ato violento e autoritário. O desgaste do Lira e a pressão do bloco fizeram com que ele recuasse —  disse a deputada federal Gleisi Hoffmann (PR), presidente nacional do PT.