Conheça piauienses que se reinventaram profissionalmente na pandemia

A ordem era ficar em casa, fase em que empresas tiveram que fechar as portas
Por alexandra teodoro

O anúncio da pandemia, ainda em março de 2020 caiu como uma bomba. Um susto, mudanças imediatas, novo normal como passamos a chamar.

A ordem era ficar em casa, fase em que empresas não conseguiram se manter no mercado, assim como muitos profissionais liberais. A compreensão da importância do isolamento social é indiscutível. Mas, não foi fácil pra ninguém. Nem financeiramente, nem emocionalmente. Conheça histórias de piauienses que se reinventaram diante da crise advinda do novo normal.

Petas ganham mercado no novo normal

Foto: assessoriaTerno e Cia
Fontenele Brito, Terno e Cia 

Empresário respeitado na área de aluguel de ternos, com uma marca consolidada, Fontenelle Brito já enfrentava uma situação difícil, antes da covid 19 se alastrar pelo mundo.  Há pouco mais de três anos, beirava a depressão em razão da morte de seu único filho. A loja Terno e Cia já não lhe preenchia. "Eu lembrava muito do meu filho quando estava na loja e precisava fugir um pouco disso", conta.

Quando a pandemia chegou, o quadro já estava muito complicado emocionalmente. Na empresa, assim como todo mundo, teve que baixar as portas e entrar em período de isolamento social.  Contudo, era preciso reagir. A mãe dele e o neto (filho do filho que se foi) foram o alicerce para essa retomada. Pela insistência familiar acabou indo passar uma temporada em Piracuruca, terra de sua família.

Foto: assessoriaPetas
Petas

Lá, redescobriu as petas, uma receita antiga da vó Alice. Resolveu transformar essa receita em produto, com a ideia de remeter a lembranças da infância, lembrar da casa de vó, férias, interior, carinho, forno de barro. Lembranças que ele conta emocionado.

Fontenelle Brito explica que o momento era de total desconexão com a Terra: " eu estava desmotivado e precisava de algo que trouxesse a paixão por fazer e esse novo negócio me ressuscitou, de certa forma", diz.

“Era um desafio e foi a minha virada de chave perfeita. Eu resolvi industrializar um produto que fosse mais que comida, eu coloquei amor nos saquinhos, um DNA, daí surgiu Petas Vó Alice”, conta. E hoje, é uma referência na cidade. Expandiu para os biscoitos e os bolinhos de cera.

Fontenelle conta que a virada de chave não foi somente na vida dele não,. "Hoje me sinto feliz por pessoas que estão revendendo as petas e conseguindo melhorar condição de vida através desse mercado. Pessoas que não conseguiam comprar seus remédios, pagar contas, etc... e agora... estão podendo ter uma vida mais digna, com o lucro que tiram na venda do nosso produto. “Não é só pra mim, hoje é um bem maior do que eu planejei, transformando vidas de outras pessoas”. finaliza.

Máscaras de tecido 

Foto: ArquivoBeth Nogueira
Beth Nogueira

A empresária Beth Nogueira não nasceu no Piauí mas se considera piauiense, por tanto tempo que vive aqui. É inclusive, cidadão teresinense, com título concedido pela Câmara Municipal de Teresina.

Sua bem sucedida empresa não escapou dos problemas que chegaram com a covid 19. Beth trabalha no ramo de fantasias de aluguel há 29 anos. Assim que a OMS decretou a pandemia, sua empresa passou por dificuldades. Sem vendas, portas fechadas, risco de contaminação, contas chegando. Teve que abrir mão do espaço, parte do espaço físico da sua empresa e vender boa parte das fantasias que tinha no seu estoque. A situação de impotência diante do desconhecido.

A empresária resolveu fazer máscaras, um item que estava sendo muito procurado e quase não se achava quem fizesse para entregas rápidas. Um de seus filhos indicou o produto pra amigos em outro país. Não deu outra, quando percebeu já estava vendendo no exterior, ainda em pequena escala, porém em pouco tempo, conseguiu reorganizar as contas, focando num produto que a demanda exigia.

Na dança, o retorno: Gil Farias é ator, professor de dança

Antes da pandemia Gil Farias tinha a pretensão de dar um UP na vida. Estava concursado em Piripiri e passou para o mestrado em Minas Gerais. Pediu licença, mas o emprego não liberou. Encarou, pediu exoneração e foi para Minas Gerais em dinheiro e sem emprego, na cara e na coragem. Os ventos soprando a favor...ganhou uma bolsa de R$ 1.500,00 (mil e quinhentos reais), dinheiro com o qual estava se mantendo por lá.

Em 2020, retorna ao Piaui, MESTRE, porém sem emprego. Sem concurso! Sem norte!
E com a pandemia no mundo inteiro!

Foto: ArquivoGil Farias
Gil Farias

As chances de conseguir algum trabalho formal diminuíram para quase zero. O que fazer para sobreviver? Gil percebeu que ninguém conseguia treinar, dançar, se exercitar e precisava disso, porque as pessoas ficaram muito sedentárias na pandemia. “Acabei formando umas turmas de dança pelo zoom pra ter algum trocado”, comenta.

Um certo dia, um coordenador da Faculdade IESM, localizada em Timon, o chamou para ajudar a esposa dele na disciplina de dança que estava ocorrendo remotamente. “Seria só um quebra-galho, sem ganho certo, uma aposta”, disse.

Gil Farias foi ganhando espaço, criando estratégias para o trabalho com os alunos e agradou em cheio. Resultado? Formou várias turmas on line e em agosto de 2020 foi efetivado pela faculdade Estácio, através de um teste seletivo. Em maio de 2021 passou no seletivo da Universidade Federal do Piauí e atua como professor substituto. Agora exerce sua atividade em três faculdades.

 A vida não para e Gil Farias é a prova disso. No momento está cursando Doutorado em Educação Física, pela Universidade São Judas Tadeu – SP, com a linha de pesquisa “Promoção e Prevenção em Saúde”.

Do escritório ao universo do e- commerce

Foto: ArquivoLivia Sampaio
Livia Sampaio

A advogada Lívia Sampaio se viu perdida quando a pandemia chegou. A profissão de advogada que exercia desde 2015 estava ameaçada.

De tanto se perguntar “O que fazer agora?”, a resposta veio de sua própria força de vontade. Um dia teve uma ideia que mudaria sua vida profissional.

“Como advogada atuava quase todos os dias em audiências. Minha vida era bastante agitada e de repente fecha tudo”, comenta. Eu comecei a perceber que mesmo em casa as pessoas precisavam se sentir bonitas, vivas, uma questão de autoestima.

A ideia da loja on line – trabalhando exclusivamente com roupas femininas veio entre julho e agosto de 2020. Um start de abrir um negócio que pudesse ser lucrativo, trabalhando de casa. Ela conta que já gostava de moda. Estaria dentro de casa, trabalhando pelo celular e estaria evitando o perigo de infecção pela Covid-19. Vendas feitas, entregas planejadas e realizadas com todos os protocolos que o momento exigia (e ainda exige).

A loja ganhou corpo no começo de novembro. O comércio físico voltando aos poucos, mas, muita gente preferindo a comodidade de comprar on line. Foquei nas festividades de final de ano, porque mesmo com pouca gente, meu entendimento era de que as pessoas iriam comemorar, pelo menos junto dos seus familiares”, relata.

Lívia destaca que começou o novo negócio com bastante medo, mas com senti ento de muita gratidão, pelos resultados alcançados. Começou vendendo em Teresina e atualmente atende, através do E-Commerce a cidades do Sul do Estado, Gilbués, Bom Jesus, Santa Filomena (essa ela destaca com orgulho por se a cidade natal de seu pai).

“Deu tão certo que ‘chegamos’ a Curimatá, Pedro II, Parnaíba e várias cidades do Maranhão, diz a advogada que está completamente dedicada à loja. “ Ainda atendo alguns processos mas, meus planos são de trabalhar exclusivamente com a loja. Nesse trabalho eu acordo motivada, com brilho nos olhos”.  finaliza. 
Uma dica: passa na loja (on line) @usocor_oficial.

Ex-babá, Kátia Godinho assume carreira de cantora

Foto: ArquivoKátia Godinho
Kátia Godinho

Prestes a completar 50 anos, ela sentiu que não podia mais perder tempo sobre realizar sonhos. Na pandemia experimentou muitas emoções boas e ruins. Pegou Covid e se viu numa situação muito complicada. Queria e devia dar uma alavancada na vida profissional, fazendo algo que há muitos anos ela sentia vontade, mas a coragem faltava.

A pandemia provou para todos que nada é certo e que a qualquer momento tudo pode mudar. Passou a se dedicar a cantar em live e comumente abria a câmera para um live surpresa, onde cantava sucessos de artistas piauienses e outras canções do repertório nacional. Percebeu que tinha um público fiel. Incentivada pela família e amigos, decidiu se dedicar à música. Primeiramente compôs uma canção em parceria com Jairo Mouzinho e Cicy Arcângelo.

A cantora explica que teve muito medo “mas, fui com medo mesmo, como se diz por aí”. Kátia compôs música, lançou e atualmente está dedicada a uma banda de forró chamada Skema de Luxo. Vale lembrar que a música gravada por ela ganhou tanta visibilidade que alguns artistas piauienses fizeram questão de gravar  e postar em suas redes sociais. Se ela está feliz? Quer perguntar?

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