Vidas importam? A que preço?

Talvez estejamos celebrando o fim da aventura humana na Terra.
Por Jairo Mouzzez
Foto: ArquivoServidor Público, Vocalista da Banda KandoveR, Produtor Cultural e Colaborador do NoiseLand Blog
Servidor Público, Vocalista da Banda KandoveR, Produtor Cultural e Colaborador do NoiseLand Blog

Manifestações ocorridas no fim do mês de janeiro por alguns artistas da nossa capital deram o tom (dó, que dó da gente) dos protestos em prol do direito deles trabalharem. Sabemos que o músico da noite, aquele que labuta quase que diariamente, em busca de um espaço, animando festas ou "cachaçadas dançantes, é alguém que muito sofre com a noite, que os remunera muito mal e cobra jornada extenuante. 


À época, quando da decisão do prefeito Dr. Pessoa, permitimos os músicos nos bares e restaurantes. Comemorou-se o direito ao digno trabalho. Pulou-se como nunca nos bares. Cassiano fora lembrado muitas vezes com sua bela Eva. Talvez estejamos celebrando o fim da aventura humana na Terra. Afinal, teimamos em nos aglomerar, dançar sem máscara como se não houvesse amanhã. Evocaram, inclusive, dinheiro de impostos pagos pra reforçar a fiscalização. Balela, infelizmente.

Vivemos em dias complicados onde sequer conseguimos fazer nossa autogestão. É tomar duas ou três cervejas a mais pra gente logo achar que tem o direito de soltar nossos perdigotos pelo ar. E ainda questionar os resistentes que se arriscam, mas o fazem de máscara. 


O show de 28/01/2021 custou caro, infelizmente. Agora o resto do setor de Bares e Restaurantes terá que recuar todo. Enquanto isso, insistindo no erro, outra parcela organiza manifestação em prol do trabalho. Teresina quer Trabalhar. Promoverão outra aglomeração. O vírus se disseminará ainda mais. Nossos 90% de ocupação de leitos de UTI não são suficientes. Sabemos da grave depressão econômica pela qual passamos. Ela é fruto também (mas não só dela) de fases anteriores onde descumprimos os protocolos. 
Amanhã teremos mais restrições. Aumentaremos.

O Piauí corre grave risco de viver seu pico pandêmico num momento onde outros países do mundo encerram seu Lockdown. Lá tem vacina. Lá tem informação. Aqui, só imploramos pelo nosso direito de morrer.