Arte, isolamento social e teimosia

Vimos amigos próximos serem acometidos pela Covid-19 e outros serem fisgados pela depressão
Por Alexandra Teodoro

*Por Alexandra Teodoro

Foto: Alexandra TeodoroAlexandra Teodoro é jornalista, especialista em gestão de pessoas, redes sociais e processos comunicativos. Atua na TV Assembleia como produtora e apresentadora, escreve para o agazeta.news e trabalha com arte e assessoria de artistas
Alexandra Teodoro é jornalista, especialista em gestão de pessoas, redes sociais e processos comunicativos. Atua na TV Assembleia como produtora e apresentadora, escreve para o agazeta.news e trabalha com arte e assessoria de artistas

Falar sobre arte e como esse processo pode transformar pessoas é o que mais gosto de fazer como jornalista. A arte tem várias funções em nossa vida. Isso é inegável. Não podemos mais dissociar arte de sobrevivência. Relação que ficou ainda mais evidente durante o isolamento social em 2020.

Interpretar o mundo de um jeito mais sensato, refletir sobre você mesmo e até questionar a realidade. A arte se apresenta de diversas maneiras para nos acalentar. Durante a pandemia imposta pelo novo corona vírus, quando as portas de casa se fecharam para a rua, foi a arte que se fez presente em lives. Aliás, as lives musicais, em especial, foram caminhos para que pudéssemos nos adaptar a uma nova realidade: todo mundo em seus redutos, sem se ver, sem abraços, sem relações presenciais, de corpo físico.

E quando o corpo não pode ocupar um espaço, o espírito é quem precisa chegar. Assim tem sido desde que o novo coronavírus se apesentou pra nós todos. Eu mesma por muitas vezes usei a arte como aliada para não encarar um isolamento maior de mim mesma. Fiz lives no instagram, conversei com pessoas conhecidas e desconhecidos que se tornaram próximos. Falamos de música, de lugares, poesia, literatura, artes visuais, esoterismo, bem estar. O que vinha na mente, motivo de ocupação nas redes sociais. Fiz novas amizades que extrapolaram as redes sociais ocupando espaço em minha vida.

2020 não foi um ano fácil. Não mesmo. Vimos amigos próximos serem acometidos dessa doença chamada Covid-19 e outros serem fisgados pela depressão, por razões completamente compreensíveis.  Ouvi muitos dizerem “suas lives me ajudaram a não sucumbir”.  E assim, a vida foi se encaixando até que pudéssemos abrir as portas e respirar o ar da vida real.

O que me deixa o confusa e muito me assusta é que a vida real é na verdade esse novo normal que se apresenta pra nós e que, infelizmente alguns insistem em não acreditar que, de agora em diante o comportamento precisa ser alterado. Tenho conhecidos que nos chamam de besta e até se chateiam quando a gente quer exercer o direito e o DEVER  de usar máscara, não aglomerar, nos proteger e proteger os outros.  É triste imaginar que muitos dos amigos que fizemos, justamente pelo isolamento social, se tornam desavenças, porque insistimos com as orientações de prevenção.

Eu não consigo entender o que faz por exemplo, milhares de pessoas saírem às ruas atrás de reunião política, como se viu nas eleições. e ainda argumenta: "abriram tudo nas eleições". Tá errado. Mas te pergunto: "você vai, por que?'.  Como nunca vou entender o que move uma pessoa que se aglomera com outros milhares para comemorar uma decisão de campeonato, como se viu recentemente, no final de janeiro. E volta pra casa na boa, como se fosse normal. Pessoas que chamam de “besteira” e “paranoia” 246 mil mortos somente no Brasil, em números atualizados de hoje (21.02.2021). Não sei o que ainda falta para que a vontade de fazer uma festinha clandestina seja arrebatada pela empatia e pelo cuidado com todos.

E acho que devemos sim, viver!  Mas viver de modo a compreender o tempo do outro em digerir toda essa loucura chamada pandemia. E exigir os cuidados básicos de protocolo de segurança.  Não sei porque alguem se ofende quando precisa tirar os sapatos para entrar na casa alheia. Isso nem é só medida anti covid. Isso é educação!!!!!!

A sensação que tenho é de que os teimosos preveem que o mundo vai acabar amanhã, de modo que é absolutamente importante insistir na teimosia de não cumprir as medidas restritivas. Certo dia um conhecido me disse: “não vejo tv, não leio jornal e não quero saber de notícias sobre essa pandemia”.  Dáí pensei cá com meus botões: Trata-se de uma bomba ambulante que em minha humilde opinião vive no mundo da lua. Ou fora de órbita. Oremos!

* esse texto é de opinião pessoal , sendo de inteira responsabilidade do (a) autor (a)