Rússia anuncia 'cessar-fogo parcial' para permitir corredores humanitários

governo local diz que ataques continuam e adia retirada de moradores
Por globo.com
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governo local diz que ataques continuam e adia retirada de moradores

As primeiras - e por enquanto únicas - regiões a serem beneficiadas com rotas humanitárias serão as das cidades de Mariupol e Volnovakha. Cessar-fogo permitirá que civis deixem a cidade de Mariupol durante um período de cinco horas, segundo a RIA, agência russa de notícias.

A Rússia deixou claro que a redução na ofensiva não vale para todo o território ucraniano.

O prefeito de Mariupol disse que um cessar-fogo permitiria que o trabalho seja feito para restaurar a infraestrutura destruída pelos bombardeios.

O conselho de Mariupol disse que os civis poderiam seguir em direção à cidade de Zaporizhzhia e usar rotas de ônibus especialmente organizadas, bem como seus próprios carros.

Pouco depois, o conselho da cidade de Mariupol disse que a Rússia não está respeitando a trégua ao longo de todo o corredor humanitário.

Segundo a agência Reuters, o governo ucraniano diz que o plano é tirar cerca de 200 mil pessoas de Mariupol e 15 mil de Volnovakha. A Cruz Vermelha está monitorando esse cessar-fogo.

O controle de Mariupol tem caráter estratégico para a Rússia, porque permitiria garantir uma continuidade territorial entre suas forças procedentes da península da Crimeia e as unidades dos territórios separatistas pró-Moscou da região ucraniana de Donbass.

Correspondentes da agência AFP que visitaram a cidade neste sábado viram cenas de destruição, apesar da insistência do presidente russo Vladimir Putin de que suas forças não atacam áreas residenciais.

Um funcionário da ONG Médicos Sem Fronteiras (MSF) que está refugiado em Mariupol com sua família afirmou que eles coletaram "neve e água da chuva" para utilizar diante da impossibilidade de conseguir água devido às longas filas nos locais de distribuição.

"Queríamos conseguir também o pão 'social' (distribuído pelas autoridades locais), mas o horário e os pontos de distribuição não estavam claros. Segundo a população, muitos armazéns foram destruídos pelos mísseis e o que sobrou foi levado pelas pessoas mais necessitadas", disse.

Kiev

As tropas russas se aproximam ao mesmo tempo da capital Kiev, onde encontram uma intensa resistência, e bombardeiam bairros dos subúrbios ao oeste da capital ucraniana. A cidade de Chernihiv, ao norte, também é alvo de bombardeios constantes, que deixaram muitas vítimas civis nos últimos dias.

O ministro ucraniano da Defesa, Oleksiy Reznikov, afirmou neste sábado que a Rússia mudou de tática ao observar a dura resistência que parou seu plano de conquistar rapidamente as grandes cidades e derrubar o governo do presidente Volodymyr Zelensky.

Desde que o presidente Vladimir Putin ordenou a invasão da Ucrânia em 24 de fevereiro, a Rússia bombardeou várias cidades da Ucrânia e matou centenas de civis. Também atacou a maior central nuclear da Europa, provocando um incêndio que gerou o temor de uma nova catástrofe nuclear como a de Chernobyl em 1986.

As tropas russas conquistaram o controle de duas cidades importantes em 10 dias de invasão: Berdiansk e Kherson, na costa do Mar Negro, sul da Ucrânia.