Em dia de negociações, ataques da Rússia deixam dezenas de mortos em Kiev

Kiev deseja cessar-fogo imediato e a retirada das tropas invasoras do território ucraniano
Por globo.com

Ataques com foguetes russos mataram dezenas de pessoas e deixaram centenas de feridos na cidade de Kharkiv, no Leste da Ucrânia, a 65 km da fronteira com a Rússia, em um ataque empreendido no mesmo momento em que as negociações de cessar-fogo entre Kiev e Moscou começavam na Bielorrússia.

No quinto dia de combates e um avanço russo mais lento do que muitos esperavam, as tropas russos utilizaram armamentos mais pesados em Karkhiv, no lugar de armas teleguiadas, atingindo inclusive áreas residenciais.

O conselheiro do Ministério do Interior ucraniano, Anton Herashchenko, disse que Kharkiv foi “atacada maciçamente”, deixando “dezenas de mortos e centenas de feridos”.

Os ataques ocorreram quase ao mesmo tempo em que as negociações entre a Ucrânia e a Rússia começavam na região de Gomel, na fronteira da Bielorrússia com a Ucrânia. Às 13h15 do Brasil (18h15 em Minsk), a reunião chegou ao fim. Ainda não há informes sobre resultados.

Foto: Globo.comEmissários dos governos russo (à esquerda) e ucraniano (à direita) na mesa de negociações na região de Gomel para buscar uma solução pra a guerra
Emissários dos governos russo (à esquerda) e ucraniano (à direita) na mesa de negociações na região de Gomel para buscar uma solução pra a guerra

O presidente ucraniano declarou ter pouca esperança de que a reunião ponha fim ao conflito, que, segundo o seu governo, já matou mais de 350 civis desde o início da invasão.

Mas, acrescentou, eles devem tentar usar essa chance, mesmo que seja pequena, para que ninguém possa culpar a Ucrânia por não tentar impedir a guerra.

O Kremlin se recusou a comentar sobre seu objetivo nas negociações, mas o negociador russo Vladimir Medinsky disse que a Rússia pretende chegar a um acordo que seja do interesse de ambos os lados.

Em um comunicado, a Ucrânia disse que seu objetivo para as negociações ra um “cessar-fogo imediato e a retirada das tropas russas”. Sua delegação incluiu vários funcionários de alto escalão, mas não o próprio presidente, Volodymyr Zelensky. A delegação foi liderada pelo ministro da Defesa, Oleksiy Reznikov, que viajou acompanhado pelo alto conselheiro da Presidência, Mikhailo Podoliak.