Economist' traz Cristo com máscara de oxigênio e diz que 'será difícil mudar

Capa da revista 'The Economist' de junho de 2021 traz desenho do Cristo Redentor
Por O Globo
Foto: Arquivo reproduçãoCapa da revista 'The Economist' de junho de 2021 traz desenho do Cristo Redentor
Capa da revista 'The Economist' de junho de 2021 traz desenho do Cristo Redentor

Em seu relatório especial de junho, divulgado nesta quinta-feira, a revista britânica "The Economist" traz um desenho do Cristo Redentor com uma máscara de oxigênio e avalia que o Brasil, vivendo uma "década sombria", dificilmente mudará o curso atual de estagnação econômica e desastres sanitário e ambiental caso o presidente Jair Bolsonaro seja reeleito em 2022.

Na conclusão do relatório, a revista afirma que a "prioridade mais urgente" deve ser a mudança presidencial pelo voto, sem apontar um possível sucessor. O texto também diz que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), apontado à frente de Bolsonaro em pesquisas recentes, "deveria oferecer soluções, não saudades", e criticou também aspectos de gestões petistas ao longo de suas oito reportagens.

"Os políticos precisam enfrentar o atraso nas reformas econômicas. Os tribunais precisam reprimir a corrupção. E o mercado, ONGs e brasileiros comuns precisam protestar em favor da Amazônia e da Constituição. Mas será difícil mudar o curso do Brasil enquanto Bolsonaro for o presidente. A prioridade mais urgente é retirá-lo do cargo pelo voto", diz a conclusão do relatório.

Em edições anteriores, a "Economist" já usou diferentes desenhos com o Cristo para ilustrar momentos variados da trajetória política e econômica brasileira. Em 2009, a revista estampou a estátua alçando voo no alto do Corcovado, no Rio, com a manchete "O Brasil decola" e um texto elogioso aos avanços econômicos e sociais do país no segundo mandato do governo Lula.

Em 2013, em um cenário de estagnação e protestos populares, o desenho mostrou a estátua em trajetória descendente, sob a pergunta "O Brasil estragou tudo?". Três anos depois, já durante o processo de impeachment de Dilma Rousseff, a capa da revista britânica ilustrou um Cristo segurando um cartaz com pedido de socorro, avaliou que Dilma "decepcionou o país", mas alertou que adversários que tramavam sua derrubada são "piores do que ela".