Boletim dos Cientistas Atômicos adianta relógio do juizo final

A decisão do Boletim contou com a participação de 18 ganhadores do Prêmio Nobel
Por Alexandra Teodoro
Foto: ArquivoRelógio do Juízo Final é programado para cinco minutos antes da meia-noite
Relógio do Juízo Final é programado para cinco minutos antes da meia-noite

* Há 14 anos, no dia 17 de janeiro de 2007, o Boletim dos Cientistas Atômicos (organização relacionada a questões científicas e de segurança global) adiantou o ponteiro do Relógio do Dia do Juízo Final em dois minutos, fazendo com que faltasse cinco minutos para a meia-noite. O relógio é um dispositivo simbólico mantido desde 1947 pela instituição. Quanto mais perto ele está da meia-noite, mais próximo o mundo estaria de um apocalipse causado por fatores humanos.

A decisão do Boletim contou com a participação de 18 ganhadores do Prêmio Nobel e levou em consideração o fracasso global na resolução de problemas relacionados às armas nucleares e à crise climática. Em um comunicado, o órgão citou as duas principais fontes de uma potencial catástrofe: os perigos oferecidos por 27 mil armas nucleares e a destruição de habitats humanos devido às mudanças climáticas.

"Estamos à beira de uma segunda era nuclear. Desde que as primeiras bombas atômicas foram lançadas sobre Hiroshima e Nagasaki o mundo nunca enfrentou escolhas tão perigosas. O recente teste de uma arma nuclear na Coreia do Norte, as ambições nucleares do Irã, a retomada no interesse de utilização militar de armas nucleares, o fracasso em proteger adequadamente os materiais nucleares, além da presença contínua de cerca de 26 mil armas nucleares nos Estados Unidos e na Rússia são sintomas de que o mundo falhou ao tentar solucionar os problemas causados pela tecnologia mais destrutiva da Terra", dizia o comunicado. 

O texto também enfatiza os riscos oferecidos ao meio ambiente. "Os perigos causados ​​pelas mudanças climáticas são quase tão terríveis quanto os das armas nucleares. Os efeitos podem ser menos dramáticos no curto prazo do que a destruição provocada por explosões nucleares, mas nas próximas três ou quatro décadas a mudança climática pode causar danos irremediáveis ​​aos habitats dos quais as sociedades humanas dependem para sobreviver".

"Como cientistas, estamos cientes dos perigos das armas nucleares e de seus efeitos devastadores, e estamos descobrindo como as atividades humanas e as tecnologias estão afetando os sistemas climáticos de maneiras que podem mudar para sempre a vida na Terra. Como cidadãos do mundo, temos o dever de alertar o público sobre os riscos desnecessários com os quais convivemos todos os dias e os perigos que corremos caso governos e a sociedade não tomem medidas imediatas para tornar obsoletas as armas nucleares e impedir novas mudanças climáticas", disse na época o renomado cientista Stephen Hawking, membro do Boletim.