Rendimento do trabalho perde espaço para outras fontes de renda na pandemia

Rendimento do trabalho perde espaço para outras fontes de renda na pandemia
Por alexandra teodoro

Em 2020, ano em que teve início a pandemia de Covid-19, reduziu o número de pessoas que tiveram ganhos provenientes do trabalho no Piauí. Enquanto isso, cresceu a quantidade daqueles que tiveram rendimentos de “outras fontes”, como aposentadorias, aluguéis, pensões, doações e programas sociais, por exemplo.         É o que indicam os dados do módulo “Rendimento de Todas as Fontes”, da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua) 2020, realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

 Houve queda de 11,9% na população piauiense que tinha rendimento proveniente do trabalho entre 2019 e 2020. Ao mesmo tempo, aumentou em 23,5% o contingente daqueles com ganhos oriundos de outras fontes. Com isso, pela primeira vez, os rendimentos de outras fontes tiveram mais representatividade do que os do trabalho.Cerca de 59,8% da população piauiense possuía pelo menos um tipo de rendimento em 2020. A proporção dos que receberam ganhos provenientes do trabalho foi de 32,4% e daqueles com rendimentos de outras fontes foi de 37,3%. As pessoas podem ter mais de um tipo de rendimento concomitantemente.

 Dentre os tipos de fonte de rendimento incluídos na categoria “outras fontes”, as aposentadorias e pensões eram os mais representativos em 2019, contemplando 14,2% da população do estado, com leve queda na participação em 2020, passando a 14%. Enquanto isso, “outros rendimentos” teve participação elevada de 13,6% em 2019 a 21,8% em 2020. Nesta última categoria, estão inclusos os ganhos obtidos de programas sociais do governo (como Bolsa Família e o auxílio emergencial), de aplicações financeiras, de bolsas de estudo, de direitos autorais, entre outros.

 A terceira maior participação é dos rendimentos de pensão alimentícia, doação e mesada de não morador, apontada como fonte de renda de 2,5% da população piauiense com rendimento. Em último lugar, vêm os ganhos oriundos de aluguéis e arrendamentos, que foram indicados por 0,7% da população em 2020.

Em 2020, a tendência de aumento de participação do rendimento de outras fontes foi verificada em todo o país. De modo inversamente proporcional, também foi generalizada a queda da participação do rendimento do trabalho. Cerca de 23,6% da população brasileira havia declarado ter rendimentos de outras fontes em 2019, taxa que alcançou 28,3% em 2020. Já a proporção daqueles que possuíam ganhos oriundos do trabalho reduziu de 44,3% em 2019 para 40,1% em 2020.

Em números absolutos, cerca de 1,2 milhão de habitantes do Piauí tinham rendimentos oriundos do trabalho em 2020, quantidade que caiu para apenas 1 milhão em 2020. Já os que tinham ganhos de “outras fontes” eram 989 mil em 2019 e atingiram 1,2 milhão em 2020. No país, cerca de 92 milhões de pessoas tinham rendimentos do trabalho em 2019, número que reduziu para 84 milhões em 2020. Já as pessoas que tinham ganhos de “outras fontes” eram 49 milhões em 2019 e passaram a 59 milhões em 2020.

Programas de transferência de renda

                No Piauí, houve um salto de 95,7% na proporção de domicílios com beneficiários de “outros programas sociais” entre 2019 e 2020. A categoria engloba o auxílio emergencial concedido pelo governo federal em razão da pandemia. Enquanto apenas 0,4% dos lares piauienses faziam parte do grupo em 2019, o índice chegou a 38,7% em 2020.

            Em movimento contrário, reduziu a proporção de residências com beneficiários do Bolsa Família e do Benefício de Prestação Continuada (BPC-LOAS) no Piauí. Havia pessoas com rendimentos do Bolsa Família em 35,8% dos domicílios do estado em 2019, proporção que caiu para 16,3% em 2020. Quanto ao BPC-LOAS, a queda foi menos significativa: de 5,4% dos lares em 2019 para 5,1% em 2020.

            No Brasil, apenas 0,7% dos domicílios tinham rendimentos de “outros programas sociais” em 2019, índice que chegou a 23,7% em 2020. Os lares com beneficiários do Bolsa Família reduziram de 14,3% em 2019 para 7,2% em 2020. Já a proporção de domicílios brasileiros que recebiam BPC-LOAS passou de 3,5% para 3,1% no período.

            A movimentação se justifica pelo fato de que parte dos beneficiários do Bolsa Família passaram a receber o auxílio emergencial em 2020. Com isso, cresceu a participação da categoria “outros programas sociais” e reduziu a proporção do Bolsa Família.

Cresce a desigualdade de rendimento entre os sexos no Piauí 

            A diferença de rendimento do trabalho entre homens e mulheres tem se ampliado no Piauí desde 2017, quando foi registrada a menor desigualdade entre os sexos. O crescimento fez a variação chegar, em 2020, ao mesmo índice obtido em 2013. As informações são do módulo “Rendimento de Todas as Fontes”, da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua) 2020, realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Conforme a pesquisa, as pessoas do sexo feminino tiveram rendimentos 15,4% inferiores àquelas do sexo masculino em 2020, no Piauí. Em média, as mulheres tiveram rendimento mensal de R$ 1.262 no ano passado, enquanto o valor médio para os homens foi de R$ 1.492. Ou seja, diferença média de R$ 230 entre os sexos.

Em 2013, foi registrada a mesma proporção de desigualdade entre os sexos no estado. Com o rendimento médio mensal dos homens em R$ 1.600 e o das mulheres em R$ 1.353, a diferença também era de 15,4% a menos para o sexo feminino. Equivalia, em média, a R$ 247 a mais para os homens.

Desde 2017, quando foi registrada a menor diferença no estado, a desigualdade tem crescido. Em média, as mulheres tinham ganhos 8,2% menores que os dos homens em 2017, proporção que passou a 10,9% em 2018 e chegou a 13,3% em 2019. Apesar do aumento nos últimos anos, a maior diferença foi em 2015, quando as mulheres tinham rendimentos 21,8% menores que os homens do Piauí.

            A pesquisa mostra que a desigualdade nos rendimentos do trabalho por sexo existe em todo o país e, inclusive, com índices maiores que os do Piauí. Em 2020, o rendimento médio das mulheres brasileiras foi 21,6% inferior ao dos homens. Enquanto os ganhos médios foram de R$ 2.687 para o sexo masculino, o valor foi de R$ 2.107 para o sexo feminino, uma diferença de R$ 580 entre os sexos.

Piauí tem o 2º menor rendimento médio do país

Os habitantes do Piauí que possuem algum rendimento, considerando todas as fontes de renda, ganham, em média, R$ 1.399 mensais. O valor é o segundo menor entre os estados do país, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado foi obtido por meio do módulo “Rendimento de Todas as Fontes”, da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua) 2020.

Apenas o Maranhão possui rendimento inferior ao do Piauí: por lá, a população tem ganhos habituais de, em média, R$ 1.270 mensais. O maior valor é o do Distrito Federal, que tem média de R$ 3.974 mensais, ou seja, 184% a mais que o Piauí. No Brasil, o valor médio é de R$ 2.213, cerca de 58% superior à média piauiense.

Em comparação ao ano de 2019, o Piauí caiu de posição. Na época, o estado possuía o terceiro menor rendimento (R$ 1.385), superando o Alagoas (R$ 1.348) e o Maranhão (R$ 1.223). Em 2020, o Piauí foi ultrapassado por Alagoas, que teve rendimento médio mensal de R$ 1.427.

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