Criadora de conteúdo fala sobre expressões ofensivas e desnecessárias

Alina Durso criou "Diário de uma travesti", onde explica atitudes que devem ser banidas
Por Alexandra Teodoro

Hoje faz 18 anos que um grupo de ativistas compareceu ao Congresso Nacional para a campanha "Travesti e Respeito", um marco na luta pelo respeito às pessoas trans no Brasil. Desde então, 29 de janeiro se tornou o Dia Nacional da Visibilidade Trans.

Mais do que ser celebrado, esse dia deve servir como um ponto de reflexão, além de reforçar a resistência contra os discursos de ódio e os atos de violência cometidos diariamente contra a população trans e travesti no Brasil

Respeito a todes!

Foto: AssessoriaAline Durso
Alina Durso

8 falas e atitudes transfóbicas para não se ter com pessoas trans e travestis

No dia 29 de janeiro é celebrado o Dia Nacional da Visibilidade Trans. A vida de pessoas trans e travestis no Brasil é marcada por estatísticas dolorosas – o País é pelo 13º ano consecutivo o que mais mata essa população, de acordo com dados da ONG Transgender Europe. Estudos feitos também pela União Nacional LGBT apontam que a expectativa de vida de uma pessoa trans no Brasil é de apenas 35 anos. No geral, eles são mortos antes disso.

Expressões preconceituosas e perguntas inapropriadas escondem, na verdade, um cenário violento e a falta de afeto que trans e travestis enfrentam todos os dias. Ter Linn da Quebrada, que se afirma travesti, no Big Brother Brasil, por exemplo, além de ser uma projeção nacional do assunto, escancara também a falta de informação – de quem está dentro do reality, como Rodrigo, que utiliza uma expressão pejorativa “sem querer”, e Eslôvenia que se confunde com o artigo ao se referir à Lina, e de grande parte do País que está fora.

Aqui, Alina Durso, criadora de conteúdo no “Diário de uma Travesti”, mostra – e explica – frases e atitudes que são transfóbicas para nunca mais se repetir.

1. “Você até parece homem/mulher de verdade”

Não, essa frase não é um elogio – aliás, está bem longe disso. “É uma fala extremamente transfóbica, já que invalida a identidade de pessoas trans e as coloca em uma posição de subcategoria de homens e mulheres”, afirma Alina.

2. “Você é operada?”

Uma travesti ou mulher trans não é um objeto de estudo para saciar a sua curiosidade. Fazer esse tipo de questionamento é invasivo, ofensivo e de nada acrescenta na conversa.

3. “Você já fez a transição completa?”

“Não existe transição completa! Muitas pessoas cis dizem isso tentando taxar como ‘transição completa’ pessoas trans e travestis que já fizeram a cirurgia de redesignação sexual, e isso invalida totalmente a identidade de pessoas trans e travestis que optaram por não realizar essas cirurgias. Não existe transição completa, cada pessoa trans tem seu processo e todas identidades são válidas”, explica.

4. “Tr4v3CO”

Como diria Linn, “você não sente quando você diz que pode soar agressivo?”. Sim, porque é! Historicamente, o termo foi utilizado sempre em um sentido violento – assim como seus derivados. Inclusive, o sufixo “eco” dá a interpretação de inferioridade para diversas outras palavras. “Jamais utilize essa palavra para se referir a travestis e mulheres trans. É extremamente pejorativo”, reforça Alina.

5. “Qual seu nome de verdade?”

O nome de verdade é o que ela se apresentou, e pronto! “É extremamente ofensivo e desagradável querer ter curiosidade por um nome que não existe mais e não condiz com o que a pessoa se identifica”.

6. “O travesti”

Travestis e mulheres trans são identidades femininas e, por isso, devem ser tratadas com artigos femininos. É transfóbico seguir tratando essas pessoas no gênero de seu nascimento.

7. “É tudo a mesma coisa” ou “É tudo gay”

Não apague outras identidades e orientações sexuais que existem dentro da comunidade LGBTQIAP+. Entender o significado de cada letra da sigla é preciso para não colocar todas as pessoas em uma única caixa – ainda mais com esse tom de demérito, né?

8. “Quase me enganou, hein?”

Pessoas trans e travestis não querem enganar ninguém. Associá-los a uma “enganação” ou até mesmo achar graça sobre isso é extremamente ofensivo e preconceituoso. “A gente não finge ser algo que não somos. Pelo contrário, queremos viver com dignidade e sendo respeitas da forma que somos”, finaliza Alina.