A luta pelo direito das mulheres inclui autonomia e igualdade perante a Lei

Muitas histórias marcaram a luta das mulheres para ter seu espaço na sociedade
Por Alexandra Teodoro

Se a gente voltasse no tempo 50 anos, talvez menos, essa nova geração muito provavelmente teria a compreensão das conquistas que custaram o esforço e muita luta de mulheres que merecem mais que um lugar na linha do tempo da história. E deixariam de torcer o nariz quando muitas mulheres exigem ocupar o  "lugar de fala".  Há 50 anos, por exemplo, boa parte das mulheres casadas não podiam, trabalhar fora de casa sem que fosse autorizado pelos maridos.

Foto: ArquivoAdhriana Smith
Adhriana Smith

A luta pelo direito das mulheres inclui autonomia e igualdade perante a Lei, mas a batalha ainda segue – e não faltam pautas, como igualdade salarial e outras questões de machismo estrutural. Então, quando falamos em comemorar o 8 de março a proposta vem formatada por questões que precisam ser consideradas todos os dias.  A data comemorativa foi instituída pela ONU - Organização das Nações Unidas, em 1975. Muitas histórias marcaram a luta das mulheres para ter seu espaço na sociedade, fazendo com que esse não seja apenas um dia de homenagens, mas a recordação do esforço feminino, que resultou em conquistas sociais, econômicas e políticas.

A Secretária Executiva, Adhriana Smith acredita que ainda existem muitas lutas para encarar. “Eu vejo o dia como uma comemoração pois, através dos séculos houve mulheres que foram vencendo barreiras para conquistar o que nós temos hoje, fala.

Adhriana é também Cantora, Atriz e Bailarina de Dança do Ventre, que fez questão de grafar com iniciais maiúsculas, afinal, quantas mulheres ao longo da história tiveram que abdicar de seus sonhos profissionais por serem mulheres? “Quantos obstáculos foram vencidos para que hoje pudéssemos realizar o direito de votar, por exemplo?, disse Adhriana.

No Brasil o voto feminino chegou quando já era realidade em 14 países. No dia 24 de fevereiro de 1932 a publicação do Código Eleitoral retirava as restrições ao voto feminino, bem como instituía no país o voto secreto e a Justiça Eleitoral. “Porém a luta continua, o que eu sinto nos dias atuais é que infelizmente houve um retrocesso nos nossos direitos, fala a secretária executiva e artista, Adhriana Smith, em referência ao caso da deputada que foi “tocada” em plena sessão por um deputado. A punição foi mínima e com isso os outros a qualquer momento se sentem encorajados a repetir o ato. É isso que sinto, que nos últimos anos estamos sendo desvalorizadas por conta de um machismo exacerbado que estava inibido e no atual momento ressurge em altíssimo grau, comentou.

Foto: ArquivoKátia Godinho
Kátia Godinho

Conversamos com Kátia Godinho, uma mulher forte. Ela conta que o maior desafio de sua vida foi criar os três filhos sozinha. Fugiu de casa aos 18 anos, grávida de dois meses, pra casar e construir a vida. “Meu marido era alcoólatra. Saí de casa várias vezes, mas voltava sempre depois, porque naquele momento era o que eu podia fazer”, conta. “Depois de muito tempo, muita labuta, ele parou de beber e hoje eu sou essa mulher que todos conhecem”, relata.

A kátia que conhecemos tenta viver o tempo de agora e diz que sua maior fonte de inspiração é sua filha mais velha, a Karlla, com quem sempre pode contar. Recentemente deu uma virada na vida, apostou no seu sonho, terminou o curso de música e disse que está pronta para os próximos desafios, um deles é seguir a carreira de cantora. Sorte de quem pode contar com o apoio da família em busca de suas realizações.

Infelizmente, em pleno século 21, esta não é a realidade de muitas mulheres que ainda se sujeitam a condições de relacionamentos inimagináveis. “Em nosso Estado, os casos de feminicídio continuam em alta e isso me dói muito. Há algum tempo tenho ânsia em fazer algo para chamar a atenção da sociedade quanto a isso, fiz até um projeto musical chamado “respeita as minas” mas por conta pandemia não consegui ainda seguir adiante”, fala Adhriana Smith.

Ela reforça que temos que encorajar umas às outras, nos fortalecer para que juntas possamos lutar por punições mais severas quando formos desrespeitadas, ampliar nossos direitos e garantir que possamos realmente tê-los e finaliza com uma homenagem: "Existem muitas mulheres que eu admiro e me espelho como é o caso da minha mãe: Maria dos Remédios, mulher cheia de coragem e dona de uma sabedoria sensível e ímpar".

Foto: ArquivoJamile Jah
Jamile Jah

Jamile Jah é cantora, apresentadora de programa de rádio. Escolheu um segmento musical onde mais homens estão na linha de frente de suas bandas. O reggae no Piau ainda engatinha nesse sentido. Enquanto cresce como estilo musical, inversamente proporcional é o número de mulheres que atuam nessa cena. Jamile vai aos poucos galgando espaços, abrindo portas. Atualmente está no comando do programa Buraco Negro, que existe há mais de duas décadas. "Ser mulher é sinônimo de força, não somos nada de sexo frágil! Somos fortes, fazemos mil e uma coisas ao mesmo tempo! Mesmo com tantas consquitas na sociedade ainda somos tratadas com desigualdes, exemplo oos salários inferiores aos dos homens. Queremos respeito e igualdade". Perguntamos a ela uma mulher de destaque. Ela preferiu destacar uma qualidade de algumas : "Eu admiro muito as mulheres da minha familia que são guerreiras e vão atrás dos seus sonhos!", disse

Foto: ArquivoTereza Val
Tereza Val

A jornalista Tereza Val, ex-presidente do Sindicato dos Jornalistas, aliás, a única mulher presidente do SINDJOR -PI.  Dona Genu Moraes, que também foi presidente do Sindicato dos Jornalistas, presidiu o SINDJOR do maranhão. Mas, voltando ao assunto, Tereza Val, jornalista atuante, já integrou equipes de trabalho de quase todas as emissoras da capital, com passagens por jornais, portais de noticias e rádio. Em sua opinião "conseguimos o direito de escolher os próprios maridos, as russas pediram "Pão e Paz" em 1921 e depois disso, podemos trabalhar fora, ter empresas e votar. Hoje podemos celebrar cultos nas igrejas evangélicas. No Brasil desde 1988 podemos escolher parceiros sem cometer crime mas continuamos sendo espancadas e mortas por nascermos mulher."

Uma pesquisa realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostra que 50% dos homicídios de mulheres no Piauí aconteceram dentro de casa. Trara-se de um  estudo estatístico de gênero, baseado na análise de condições de mida das mulheres, não só na capital piauiense mas, em todo o país.

´Dados que nos fazem concordar com a jornalista Tereza Val, quando diz que "Nenhum desses avanços nos fez mudar de fase. Nosso estágio ainda é embrionário de implícita dependência. Esperamos que permitam para que possamos fazer... Como assim???? Somos nós que damos vidas a todos. Somos nós que os educamos. Somos nós que os escolhermos para conviver. Somos nós que cuidamos de todos na fase final. Precisamos independer da permissão... Somos o que queremos ser!!!", finaliza.

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