Pia não teme ruptura e antecipa o futuro para Tóquio:

"Jogadoras serão ainda melhores que Marta"
Por globo.com
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Ao ler a lista da sua convocação para os Jogos de Tóquio sem o nome da atacante Cristiane, a técnica Pia Sundhage encerrou pelo menos um importante capítulo da história do futebol feminino do Brasil. Pela primeira vez desde 2004, o trio que desbravou caminhos, ganhou duas medalhas de prata e se tornou símbolo de uma modalidade no país, não disputará o torneio olímpico completo.

Apesar de preferir falar das escolhas que fez e não da ausência, Pia manifestou respeito pela história de Cristiane. Mas não é de agora que vem valorizando o que acredita ser o futuro do futebol feminino brasileiro. Mesmo que somente em alguns setores. Sem focar tanto no apego emocional de uma geração, ela aposta que o futuro já começa no Japão. E fez uma promessa ousada antes do início do torneio.

- O desenvolvimento está indo muito rápido. Eu costumo dizer que temos que colocar novos olhares. Porque o que funcionava ontem, talvez não funcione hoje. E, definitivamente, não amanhã. Espero que os torcedores conheçam essas jogadoras, acompanhem as atletas mais novas. Como acompanharam as outras. E as jogadoras mais novas, eu prometo, serão melhores. Melhores ainda que a Marta.

''Quero ficar mais tempo no Brasil''

Pia está no comando da seleção desde agosto de 2019. Chegou com as credenciais pesadas de três medalhas olímpicas, duas de ouro e uma de prata. Comandou a potente seleção dos Estados Unidos e também a Suécia, seu país. Antes de iniciar seu primeiro grande desafio à frente do Brasil, Pia fez questão de deixar claro que seu projeto não é de curto prazo.

- Precisamos de novas jogadoras. Porque depois disso, vamos ter Copa América, Copa do Mundo, outras Olimpíadas e assim por diante. É importante para mim porque quero ficar por mais tempo no Brasil. E não é só essa Olimpíada. É importante apoiar as mais jovens. Elas terão grande futuro.

A seleção feminina em Tóquio, de fato, é uma mescla de gerações. A começar pela recordista Formiga, em sua sétima participação em Olimpíadas. Marta está em sua quinta. Também medalhistas em Pequim 2008, Erika e Barbara vão jogar a quarta edição. Enquanto isso, há nove estreantes no grupo de 22 jogadoras: Geyse, Ludmila, Leticia Izidoro, Leticia Santos, Angelina, Giovanna, Jucinara, Julia Bianchi e Duda

- É mostrar para elas qual é o nível mais alto. O que elas precisam para dar o próximo passo. E é bom estar perto de jogadoras como Marta, Debinha e Formiga.. É uma combinação que eu adoro - disse a treinadora.

Marta no projeto Pia

Uma dos desafios era encontrar o caminho ideal para se extrair o melhor da maior de todos os tempos. Aos 35 anos, Marta tem um papel diferente no time de Pia Sundhage. Um papel distinto ao que fazia há 10 anos. Depende mais do coletivo. Para a sueca, a camisa 10 é cada vez mais uma peça de sua engrenagem. Que acompanha o rendimento em grupo para ir além em sua atuação individual:

- Marta tem uma história fantástica. Eu fico muito orgulhosa de estar do lado dela e dizer para ir para esquerda, para direita. Ela tem muita energia e conhecimento. É contagiante. Acredito mesmo que ela seja uma jogadora de time. Se ela joga bem, o time também joga. Hoje ela tem um papel diferente de antes, mas ainda é muito importante - analisa Pia.

Pia diz que acredita que a organização seja a chave para um time de sucesso. E foi muito através disso que moldou seu trabalho nos últimos dois anos.

- E também é sobre como Marta contribui. Ela tem que ser uma jogadora de time, o que ela é. E repetimos isso muitas e muitas vezes.

Após se aproximar da cultura do Brasil através da música, Pia, desta vez, deixou o violão em casa. O foco está todo no trabalho nas próximas semanas. Que prometem ser de poucas palavras e muito treinamento.

-- Eu acredito no ouro. E acredito que é importante aproveitar a jornada. Como disse antes, temos a chance de chegar às quartas de final. E quando chegarmos, qualquer uma das oito equipes poderá ganhar essa medalha de ouro. E o Brasil pode ser um deles - finalizou.

O primeiro jogo será quarta-feira, às 5h da manhã (de Brasília), diante da China , com transmissão da TV Globo, SporTV e tempo real no ge.globo. O Brasil também tem encontro marcado com a Holanda, dia 24, e Zâmbia, dia 27. A disputa ainda conta com Austrália, Estados Unidos, Suécia e Nova Zelândia no Grupo G e Canadá, Chile , Japão e Grã-Bretanha no Grupo E.