Estudante da rede estadual é a única piauiense na Feira Brasileira de Ciências

O projeto da estudante Giovanna Estevam da Silva também foi selecionado para outras feiras
Por Alexandra Teodoro
Foto: AssessoriaA 20ª Febrace busca estimular o interesse em Ciências e Engenharia em jovens da educação básica
A 20ª Febrace busca estimular o interesse em Ciências e Engenharia em jovens da educação básica

Tendo o olhar analítico para a sociedade e as relações de poder durante o período de 2020/2021, marcado pela pandemia da Covid-19, a estudante Giovanna Estevam da Silva conseguiu ser a única representante piauiense com projeto finalista na 20ª edição da Feira Brasileira de Ciências e Engenharia (Febrace).

A 20ª Febrace busca estimular o interesse em Ciências e Engenharia em jovens da educação básica. Participam estudantes matriculados no 8º ou 9º ano do ensino Fundamental,  Médio ou Técnico, de instituições públicas e privadas de todo o Brasil. A edição está sendo realizada por plataforma virtual, de 14 a 26 de março, com a apresentação de 497 projetos científicos desenvolvidos por estudantes do ensino básico e técnico de todo o Brasil.

Giovana é estudante da 3ª série do ensino Médio na Unidade Escolar Patronato N.Sra. de Lourdes, localizada no município de Campo Maior, e desenvolveu a pesquisa intitulada “A percepção dos alunos do ensino Médio sobre poder disciplinar e biopoder na pandemia da Covid-19”. No projeto, ela analisa o entendimento dos estudantes sobre as ações quanto ao poder disciplinar e biopoder, assuntos discutidos em sala de aula, para mais compreensões quanto a estratégias para combater a pandemia da Covid-19.

“O projeto iniciou no ensino remoto quando a professora Rosiana Ibiapina ministrava aula sobre os conceitos de biopoder e poder disciplinar. No primeiro momento, fomos desafiados a desenvolver um trabalho sobre os temas estudados e quando surgiu a oportunidade de participar da feira científica, nós aperfeiçoamos e acrescentamos mais itens ao projeto, principalmente, os relacionados com o contexto pandêmico atual”, explicou a estudante.

Na metodologia de cunho qualitativa, a estudante realizou levantamento bibliográfico e aplicação de um questionário on-line com quinze estudantes matriculados no ensino Médio na unidade escolar na qual estuda. As perguntas buscavam entender a percepção dos colegas a respeito dos conceitos estudados sobre as ações práticas desempenhadas no contexto social em tempo de pandemia.

Única piauiense com projeto aprovado na Febrace, Giovana comemorou o resultado. “Quando vi que passei para a final foi um misto de sentimentos; realização e gratidão, principalmente. Fiquei muito feliz porque teria a chance de visitar e apresentar o projeto na USP, a renomada Universidade de São Paulo. Sempre foi um sonho estudar lá, principalmente, quando eu morava em São Paulo. Infelizmente por conta da pandemia não foi possível, mas mesmo assim os sentimentos são os melhores por ter a chance de participar”, comentou.

O projeto finalista foi desenvolvido sob orientação dos professores Rosiana Ibiapina e Silvana Orsano dos Santos, concorrendo na categoria de ciências humanas na área da sociologia.

“O intuito de trabalhar a percepção dos alunos sobre os conceitos de biopoder e poder disciplinar surgiu na sala de aula durante a aula de sociologia enquanto debatíamos Foucault. A abordagem que disponibilizei aos alunos foi justamente a pesquisa e alguns se destacaram. Então fizemos grupos de estudo durante o ano todo. As estudantes, por meio de um método científico, buscaram conhecer um pouco mais da realidade que estavam vivenciando e consequentemente aprender os conceitos que foram fundamentais à discussão em sala de aula”, detalhou Rosiana Ibiapina .

Incentivo à pesquisa no Ensino Médio

A professora e orientadora Rosiana Ibiapina destacou que o trabalho de incentivo à pesquisa científica ainda no ensino básico está na sua prática cotidiana em sala de aula. Com o grupo de pesquisa, as estudantes trabalharam a oratória; a fundamentação teórica; de pesquisas bibliográficas; para que se apropriem do método científico.

“A proposta de se trabalhar com projetos de pesquisa científica no ensino Médio vem de um perfil profissional que eu tenho como professora e pesquisadora. Buscamos aproximar os alunos da realidade por meio da problematização e para eles compreenderem o contexto em que vivem, assim, introduzi a importância de se trabalhar o ensino por meio da pesquisa, desenvolver a aprendizagem no contexto pandêmico e a pensar além da sala de aula”, pontuou Rosiana.

O projeto também foi selecionado para outras feiras de conhecimento, como a Feira Mineira de Iniciação Científica, em novembro de 2022; e a 7ª Exposição de Ciência, Engenharia, Tecnologia e Inovação, em junho de 2022.

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