Sete municípios do Piauí têm atratividade cultural acima do esperado

IBGE divulga municípios que se destacam por terem atratividade cultural maior do que o esperado
Por Alexandra Teodoro
Foto: Assessoriamunicípios que se destacam por terem atratividade cultural maior do que o esperado
municípios que se destacam por terem atratividade cultural maior do que o esperado

O Piauí possui sete municípios que se destacam por terem atratividade cultural maior do que o esperado. São eles: Teresina, Picos, Floriano, Parnaíba, São Raimundo Nonato, Oeiras e Pedro II. É o que aponta o Sistema de Informações e Indicadores Culturais (SIIC) 2009-2020, elaborado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O estudo identifica uma correlação entre a quantidade de trabalhadores formais no setor cultural e o número de deslocamentos para o município. Na prática, quer dizer que lugares com muitas pessoas empregadas na área da cultura tendem a atrair mais visitantes que procuram atividades culturais. O contrário também é verdadeiro: onde há poucos trabalhadores do setor, há menos atratividade. Apenas 5% dos municípios brasileiros fogem ao padrão, tendo poucos trabalhadores e muitos visitantes, portanto com atratividade maior que a expectativa.

Entre os sete municípios piauienses com atratividade acima do esperado, sobressaem-se nacionalmente São Raimundo Nonato e Pedro II, por terem grande destaque exclusivamente em dimensões culturais específicas. São Raimundo Nonato se evidencia pela diversidade de tipos de grupos artísticos, enquanto Pedro II tem realce pelo núme
ro de eventos ou ações culturais promovidas.

De acordo com a pesquisa, São Raimundo Nonato é referência em atrações culturais para 26 municípios do Piauí e da Bahia. A cidade se notabiliza por possuir 15 tipos de grupos artísticos: arte digital, artes visuais, artesanato, banda, bloco carnavalesco, capoeira, cineclube, coral, dança, gastronomia, grupos de teatro, manifestação tradicional popular, moda, musical e orquestra. Essa variedade de grupos foi encontrada em apenas 4,6% dos municípios brasileiros.

Já Pedro II é referência em atividades culturais para a população de 21 municípios do Piauí e do Ceará. A cidade promoveu sete tipos de eventos ou ações culturais: festival de cinema, turismo cultural com divulgação, apresentação musical, feira de livro, desfile de carnaval, evento cultural e festas, celebrações e manifestações tradicionais populares. Apenas 5% dos municípios brasileiros apresentaram essa variedade de atividades.

As outras dimensões analisadas pelo estudo são a existência de equipamentos culturais e os destinos turísticos importantes. Teresina, Picos, Floriano, Parnaíba e Oeiras tiveram grandes proporções de atrativos em todos os quatro eixos.

O SIIC é um projeto do IBGE criado em parceria com o então Ministério da Cultura, em 2004. Esta divulgação, com informações do período de 2009 a 2019, é a quinta edição do estudo. O levantamento serve, atualmente, ao propósito de retratar o setor, sendo instrumento para elaboração de políticas públicas e fornecendo subsídio para decisões de investimento públicas e privadas.

Piauí tem a menor proporção do país de filiais de empresas do setor cultural

O Piauí é o estado com a menor proporção de filiais de empresas que atuam no setor cultural: apenas 4,3%, conforme dados de 2019. Além disso, o estado é o único cujo percentual permaneceu o mesmo em 2009 e em 2019. As demais Unidades da Federação tiveram redução no índice, com exceção do Ceará, que registrou crescimento. As informações são do Sistema de Informações e Indicadores Culturais (SIIC) 2009-2020, elaborado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

No Brasil, cerca de 6,3% das filiais eram da área cultural em 2019, proporção que era de 7,6% em 2009. O estado com maior concentração é o Rio de Janeiro, onde 8% do total das filiais ativas em 2019 atuavam no setor, índice que foi de 9,4% em 2009. Apenas outros três estados registraram proporções acima da média brasileira em 2019: Distrito Federal (7,7%), São Paulo (7,6%) e Roraima (6,4%). Somente o Ceará teve aumento de participação entre 2009 e 2019, passando de 5,1% a 5,3%.

Quanto aos trabalhadores assalariados empregados no setor cultural, houve aumento de participação no Piauí. Eles representavam 1,8% do total em 2009, tendo alcançado o índice de 2% em 2019. O contrário ocorreu no Brasil: eram 3,5% e reduziram para 3,3% no período.

Já a média salarial dos empregados do setor cultural teve crescimento acima da média do Brasil entre 2009 e 2019. O valor teve aumento de 14,2% no Piauí e de 6,4% no país. No entanto, a remuneração média mensal do Brasil permaneceu duas vezes maior que a média do Piauí. O valor era de R$ 3.517 no país, contra apenas R$ 1.701 no estado em 2019. Dez anos antes, em 2009, os valores eram de R$ 3.306 no país e de R$ 1.490 no estado.

O estudo também mostra que a proporção de informalidade no setor cultural piauiense é abaixo da média geral. Enquanto 62,6% dos trabalhadores do estado, considerando todos os setores, são informais, no setor cultural a taxa cai para 59,3%. Ainda assim, os índices de informalidade do Piauí são bem maiores que a média brasileira. No país, cerca de 38,8% dos trabalhadores em geral são informais, proporção que chega a 41,2% no setor cultural.