Redescobrir: Elis Regina 40 Anos de Ausência Presença”

Pelos shows, em 28 anos, passaram grandes cantoras e músicos da capital
Por Alexandra Teodoro

Onde começa essa história? Num grupo, um encontro de amigos amantes da MPB e de uma certa Pimentinha. O ano era 1994 e os artistas João Vasconcelos, Marleide Lins Albuquerque, Cláudia Simone, Junior Coelho e Maristela Gruber se reúnem para prestar homenagem àquela que se tornou a maior cantora do Brasil, de todos os tempos.

Foto: assessoriaClaudia Simone
Claudia Simone

“Tributo a Elis Regina”, ano zero, num show que aconteceria no dia que marca data de morte da cantora, 19 de janeiro. O Tributo aconteceu no Restaurante Café das 6, na Rua São Pedro, entre a Gabriel Ferreira e Arlindo Nogueira, “no centrão”, informa João Vasconcelos.

Os dias eram assim e os anos seguintes trazem a 2022, marco de encerramento a 28 Anos Blues. Vasconcelos cumpriu missão de manter a chama acesa, durante todos esses anos. 2022 é de arrematar, como último lance, “não por morte, mas porque fecha um ciclo de 40 anos de ausência presença de Elis e os meus 60 anos de nascimento. Agora, é tempo de correr atrás dos meus próprios projetos. O Tributo, para que sempre acontecesse, e bem, às vezes tive que pagar para fazer. O Piauí manteve o papel de lançar  o Projeto e, de quebra, artistas no cenário da música de Teresina, como Vanda Queiroz e Gislene Danielle”, declara João.

Pelos shows passaram grandes cantoras e músicos da capital, Erisvaldo Borges, Bebel Martins, Laurenice França, Maristela Gruber, Fátima Castelo Branco, Rosana Siqueira, dentre tantas brilhantes no palco para Elis. O Produtor aproveita para pedir perdão por não lembrar o nome de todas as cantoras. Mas, não esquece do Colombo[in Memoriam] que participou de três edições do Show, inclusive na de 60 anos da Artista. E, numa dessas edições, o diretor fez o músico surgir do fosso do Theatro 4 de Setembro, a Casa recebeu pelo menos 26 vezes o Tributo. 

Das 27 realizadas só uma não teve Show, mas a mãe do João sugeriu que ele produzisse uma Missa. Assim foi. Uma Missa Show na igreja de São Benedito em 2001. Também o mestre e doutor em música, Eládio Jardas, fez parte do cast, relembra. Convidado à edição de 2022, o músico não teve como conciliar a agenda à vigésima oitava cantiga de roda em “Redescobrir” Essa Mulher Elis.

No tempo de contar dois para lá, dois pra cá, todos e todas eram amantes e fãs de Elis. Neste ano, sem fugir à regra, o elenco soma-se por amor incondicional ao Furacão Elis. Além dos bailarinos, há cinco convidados que nunca participaram do evento, o violonista Wellington Torres; Anderson Bastos, baixista; Silvio Rosário, piano; a cantora Duda Di e o baterista Bruno Moreno, “um puta músico, poderia tocar com Elis sem nenhum problema, um puta músico”, diz João.

O Espetáculo envolve muita gente. Por que realizar por tantos anos? Uma paixão mesmo do carro chefe do evento. Além de ouvir muito a cantora, passou a acompanhar a Artista desde 1972, com o grande sucesso daquele ano, “Madalena”. Ouvia muito na Rádio Pioneira. Outra boa lembrança de Vasconcelos, que chama de Memória Viva eram os programas musicais de televisão. Na casa dele não havia ainda tevê, mas salvava-se nas casas de vizinhos. Viu pela TV o Show Saudades do Brasil e sua memória se instala, feito tatuagem, em “Atrás da Porta”. Mas sua relação mesmo, defende, está em “Arrastão”. O ano em que Ela ganhou o 1º. Festival da Música Popular Brasileira da TV Excelsior, 1965, e também o que ele nasceu e “Elis até me chama, ‘vem na rede João!’”, graceja.

Foto: assessoriaElizabeth Battali
Elizabeth Battali

Das memórias que o envolve a cantora, aponta que Elis foi uma das primeiras a sair do eixo e vir a Teresina, onde viu-a ao vivo e a cores. Para ele, Ela veio por acreditar que o artista deve vir aonde o povo está, como declara Milton Nascimento. “Gal Costa demorou foi muito a vir, Bethânia também. O Chico nunca veio”, contabiliza.

O Show a que se refere aconteceu no Theatro 4 de Setembro, 1979, e era “Essa Mulher”. Das singularidades dessa passagem do Furacão Elis por Teresina, o cenotécnico do 4 de Setembro,  José da Providência[in Memoriam] levou a cantora para comer panelada no Bar Maria Tijubina, point à época muito frequentado por artistas da cidade. “A gargalhada troou”, reconta João Vasconcelos.

Elis está entre as 10 maiores cantoras e improvisadoras do mundo. Se Ela se empolgasse, não tinha pra ninguém. Cantar era como se coçar, bastava começar. Era assim para Elis Regina. Por fim, declara que muitos fatores levaram à frente o Projeto. Elis era política, contraditória, uma artista normal e muito mais presente na MPB que muita cantora viva. É Existente. Continua viva, as pessoas pesquisam sua obra, seu repertório vira e mexe, está de volta. É a ausente mais presente que existe.

Para o aniversário de 28 anos do Projeto, o Show “Redescobrir: Elis Regina 40 Anos de Ausência Presença”. 25 canções interpretadas pelas cantoras Bebel Martins, Cláudia Simone, Duda Di e Gislene Danielle. A Direção Musical e Violão, Wellington Torres; Piano, Silvio Rosário; Contrabaixo, Anderson Bastos; Bateria e Percussão, Bruno Moreno. As coreografias de Elizabeth Báttali e bailarinos Beth Báttali, Junior Afoxá, Raira Monteiro, Júlia Fernandes, Ramon Damas, Will Kennedy e Hellen Luanda. A iluminação de Erickson Pablo e a Produção de Israel Silva. Direção geral, João Vasconcelos. Apoio Cultural, Figurino e Fantasia e TV Garrincha.

“Redescobrir” tem o Patrocínio do Armazém Paraíba, através do Siec e Governo do Estado do Piauí e, acontece, dentro da programação do Ocupação Trama 2022, que é patrocinado pela Equatorial, via Siec e Governo do Estado.

Expediente: 

Show “Redescobrir: Elis Regina 40 Anos de Ausência Presença” 

Dia 19 de janeiro 

20 horas 

Trama Cultura 

Ingressos: meia RS 20,00[antecipado] | inteira R$ 40,00 / Informações: 86 9. 8817 2201 

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