O espetáculo “Pejorativo” será apresentado neste sábado, no Teatro Torquato Neto

A proposta dramática discute identidade,  etnia e comportamento focados no negro brasileiro.
Por Alexandra Teodoro
Foto: AssessoriaO elenco, essencialmente afro brasileiro, do Coletivo de Arte, Pesquisa, Movimentos e Ancestralidades,
O elenco, essencialmente afro brasileiro, do Coletivo de Arte, Pesquisa, Movimentos e Ancestralidades,
Foto: AssessoriaO elenco, essencialmente afro brasileiro, do Coletivo de Arte, Pesquisa, Movimentos e Ancestralidades,
O elenco, essencialmente afro brasileiro, do Coletivo de Arte, Pesquisa, Movimentos e Ancestralidades,

O espetáculo “Pejorativo” será apresentado neste sábado, no Teatro Torquato Neto. Com concepção e texto de Bid Lima e direção de Arimateia Bispo, a proposta dramática discute identidade,  etnia e comportamento focados no negro brasileiro.

O elenco, essencialmente afro brasileiro, do Coletivo de Arte, Pesquisa, Movimentos e Ancestralidades, conta com Anderson Reis, Arimatéia Bispo, Bid lima, Fagão Silva e Kaio Rodrigues. “Pejorativo” direciona pesquisa à situação do negro na cena artística e sociedade piauiense e abriga Conceito, Linguagem contemporânea, Subjetividades e Interseccionalidades.

Ativa raciocínio crítico da população, marcada pelo processo de formação do Brasil, de construção social diferenciada, envolta na esteira da exclusão, racismo imbuído e  estruturante, como processo político, social e histórico, propício às condições a que grupos, racialmente identificados, sejam discriminados por grupos privilegiados.

Falas e vozes de Djamila Ribeiro, Lélia Gonzalez, Silvio Almeida , Abdias do Nascimento, Júlio Romão, Conceição Evaristo, Sueli Carneiro, Joice Berth, Milton Santos, entre outros, abrem o norte basilar e epistemológico do trabalho.

Histórico de Movimento de Teatro Negro:

O Teatro Negro, encabeçado por Abdias Nascimento, movimento que emergiu no Brasil nos primeiros decênios do século XX – Teatro Experimental do Negro (TEN) –  visava ascender a pessoa negra ao protagonismo em todas as esferas sociais, ao propósito de valorização da identidade cultural afro-brasileira, que pouco era percebida até então.

Sua filosofia impunha o negro dentro de todos os espaços e, neste universo, a pessoa afro-brasileira exerceria as atribuições de protagonismo em toda a sua estrutura social.

Júlio Romão, etnólogo, poeta e dramaturgo piauiense, um dos fundadores do TEM, se destacou na luta antirracista, através da literatura dramático brasileira. Combate o preconceito, intrínseco no tecido social, e encampa luta pela igualdade racial.

Sua dramaturgia rompeu fronteiras e expectativas, quebrou características de preconceito e das desigualdades sociais, através de sua voz. Inseriu o negro em seus escritos, incluindo-os e elevando-os à categoria de protagonistas em suas histórias.

Júlio Romão declara, “Em todo o meu teatro, eu sou também personagem. Não importa o tema, ambiente ou a época da ação. O essencial é que estejamos nele. Ainda que na simples personificação de um sentimento reduzido a síntese filosófica…” (apud CAMPELO, 2017, p. 7).

O Espetáculo:

Comungado, ao legado de Romão, é que o Coletivo Capemga revisita arte e educação na produção de ações, reflexões, pensamentos e debates políticos.

Abrir trincheiras pelas Artes Literárias Dramáticas Dança Teatro Música e Visuais para a visibilidade dentro do meio artístico, acadêmico e literário.

Pejorativo – do léxico à semântica de linguagem popular – palavra que exprime sentido desagradável, ou de desaprovação. O uso, muito utilizado, por alguns, expressivamente de forma aviltante, ampara o preconceito ao diverso de sentidos.

Causar incômodo, a partir do amplo significado e formas pejorativas a que palavras são rebaixadas ao nível desfavorável para humilhar, constranger e desqualificar é a marca do espetáculo. Reativa vozes que atrelem movimento artístico do nosso Estado nas questões submersas em meio a tantas subjetividades, embutidas, nas camadas sociais.

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