Festival de Culturas Surdas, com programação artística e mesas de conversa

Acontece entre 9 e 13 de agosto e ainda conta com programação artística.
Por Alexandra Teodoro
Foto: AssessoriaFestival
Festival

O Festival de Culturas Surdas, do Itaú Cultural, nesse ano tem como tema a multiculturalidade na comunidade surda, com mesas de conversa que sobre LGBTQIA+, negritude, feminismo e a realidade dos indígenas não ouvintes, que tem diferente sistemas de comunicação, de acordo com a cultura a qual pertencem.

PROGRAMAÇÃO: 


De 9 a 13 de agosto

Mesas de debate: com transmissão ao vivo, no Youtube (https://www.youtube.com/itaucultural), sempre às 19h


Programação artística: abre e fecha as mesas de debate e fica disponível para visualização até o dia 22 de agosto, no site do Itaú Cultural www.itaucultural.org.br 

Curadoria e concepção: Núcleo de Educação e Relacionamento

PROGRAMAÇÃO

(veja o perfil dos participantes no atachado)


9 de agosto
Línguas de Sinais Indígenas
 

Sinopse: diversas etnias indígenas têm suas próprias línguas de sinais, criadas dentro das comunidades, para integrar os indígenas surdos. O objetivo desta mesa é refletir sobre a realidade de pessoas surdas indígenas e as particularidades de suas línguas de sinais.

Com: Shirley Vilhalva, Jéssica Pedro e Rosyane Pedro.

10 de agosto
Surdos que ouvem
 

Sinopse: há um pensamento comum de que todos os surdos usam Libras, no entanto, há uma parcela considerável de pessoas surdas que preferem o uso do português e até mesmo ouvem. Outros, preferem fazer leitura labial e ler legendas à interpretação em Libras e muitos usam ainda, aparelhos auditivos ou implante coclear. Nesta mesa, a perspectiva desta parcela de surdos é abordada.

Com: Paula Pfeifer, Lak Lobato e JP Acciari

11 de agosto
Negritude surda
 

Sinopse: para muitos, além de lidar com as barreiras que a sociedade impõe para uma pessoa surda, também é necessário manejar o racismo. Desta mesa, participam pessoas negras e surdas que trazem estas intersecções de opressões e preconceitos à tona de diferentes maneiras, seja na militância ativa, na educação, na pesquisa acadêmica ou na atuação artística.

Com: Priscilla Leonnor, Wesley Nascimento e Márcia Paulo

12 de agosto
Surdos LGBTQIA+
 

Sinopse: pessoas surdas e LGBTQIA+ existem de todas as formas. Nesta mesa, surdos que são também LGBTQIA+ falam de suas vivências e dos atravessamentos em seus corpos por viverem ambas as realidades. Os convidados fazem de sua vida um espaço de arte, política e poesia.

Com: Kitana Dreams, Pietra Simon e Yanna Porcino

13 de agosto
Mulheres Surdas e Feminismo
 

Sinopse: mulheres surdas também sofrem com o machismo e estão organizadas contra essa opressão em coletivos feministas de mulheres surdas. Nesta mesa, militantes dos direitos das mulheres para falam de suas vivências.

Com: Nayara Silva, Victoria Pedroni e Gabriela Grigolom

Perfis dos participantes:
Coletivo Mão Dupla é o trânsito entre língua de sinais e artes visuais. Formado por artistas surdos e ouvintes que desenvolvem uma pesquisa e prática artística através da visualidade. Tem o objetivo de propor encontros entre surdos e ouvintes, divulgar a Libras e as culturas surdas, cultivar a acessibilidade na cultura para além dos eixos centrais e estimular a produção artística de pessoas surdas. Realizam diversas ações, entre elas, publicações, oficinas, murais, poesias, Slam e rodas de conversa. Em 2019, o projeto foi contemplado pelo edital Aluno-Artista do Serviço de Apoio ao Estudante, da Unicamp, e em 2020 realizou uma parceria com o projeto Ainda Algo Antes de Deitar, pelo Proac.

Gabriela Grigolom Silva é ativista, atriz, surda, poeta, slammer e feminista negra. Trabalha no teatro e produz música em Libras. Já dirigiu uma peça teatral com elenco de surdos. Atualmente estuda Artes Cênicas, na Universidade Estadual do Paraná (FAP).

JP Acciari tem 23 anos e se envereda pelas artes desde a infância. Começou a desenhar como uma forma de expressão e fuga da solidão por pertencer a uma família de ouvintes. Foi oralizado ainda muito pequeno e aos cinco anos colocou o Implante Coclear. Viveu toda a infância com amigos oralizados e ouvintes. Somente no ensino médio teve contato com surdos, que se comunicam apenas em Libras e nesse momento conheceu um novo mundo. Começou a se identificar como surdo e se dedicou mais às artes. Ao estudar design teve a certeza de que esse era o caminho. No campo da organização entre surdos, busca ser uma voz em prol da igualdade e respeito entre surdos que ouvem, que não ouvem e ouvintes. 

Jessica Pedro é indígena da etnia terena e surda. Tem 29 anos e é da Aldeia Bananal, mas vive atualmente na Aldeia Jaguapiru, na cidade de Dourados, no Mato Grosso do Sul. Está cursando o último ano da Faculdade Letras-Libras, na Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD).

Kitana Dreams é drag queen surda, digital influencer, youtuber e maquiadora. É surda de nascença, oralizada e faz leitura labial. É autodidata, aprendeu muita coisa de maquiagem sem fazer curso. Foi a primeira drag queen surda a ser coroada Miss Rio de Janeiro Gay Plus Size, em 2013. Reinou durante dois anos, entre 2013 e 2014. Em 2015, ficou em terceiro lugar no Miss Brasil Gay Plus Size. Quando não está de Kitana, é Leonardo.

Lak Lobato é surda oralizada desde criança e usuária de implante coclear. Formada em comunicação, é palestrante e autora do blog Desculpe, Não Ouvi! desde 2009, que já deu origem a duas TEDx Talks sobre diversidade surda, além de quatro livros sobre esse tema: o autobiográfico Desculpe, Não Ouvi, Escute como um surdo, sobre o empoderamento da pessoa com deficiência auditiva, E Não É Que Eu Ouvi! e Lalá é assim: Diferente igual a mim, para crianças.

Márcia Paulo é um nome forte na militância negra surda há algumas décadas. É professora de libras no Instituto Nacional de Educação de Surdos (INES) e mestranda em educação bilíngue.

Nayara Silva é mãe, preta e surda. Tem de 31 anos, com dois filhos Codas - crianças ouvintes filhos de pais surdos. Nasceu em Brasília e vive há sete anos em São Paulo. Começou sua carreira artística como poeta no Slam Corpo, além de slammer, é MC, performer, atriz, cofundadora do grupo Ramarias e contadora de histórias no grupo êBa!

Paula Pfeifer é a principal referência do universo dos surdos oralizados. Ela é escritora, criadora do movimento #surdosqueouvem e membro do World Hearing, Fórum da Organização Mundial de Saúde.

Priscilla Leonnor é professora de Libras e Literatura Visual na Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB). Formada em Pedagogia e Letras-Libras pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Como ativista mulher negra e surda, apresentou trabalho no Congresso Nacional de Incusão Social do Negro Surdo do Brasil (CNISNS), e produz uma série de poesias em libras com o tema da negritude.

Pietra Simon Jardim é mulher trans e surda, de 23 anos, professora de Libras, criadora de conteudo no Instagram, estudante de Letras e Literatura, coordenadora municipal adjunta de representação da Aliança Nacional LGBTQI+. Ativista em defesa do movimento feminista, LGBTQI+ e da comunidade surda.

Renata Freitas é poeta e professora de Literatura Surda e Libras, da Faculdade Ratio e da Escola Estadual de Educação Profissional Joaquim Nogueira, ambas no Ceará. É especialista em Libras: docência, interpretação e tradução, pele Centro Universitário Sete de Setembro (Uni7) e graduada em Licenciatura, Letras-Libras. Apresenta videopoesias de diferentes temas em seu Instagram.

Rosyane Pedro é indígena da etnia Terena e intérprete de Libras. Tem 26 anos e é também da Aldeia Bananal, no município de Aquidauana, no Mato Grosso do Sul, e vive na Aldeia Jaguapiru. É formada em Letras-Libras, pela Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD), pós-graduada em Educação Especial, e agora cursa o bacharelado na mesma instituição.

Shirley Vilhalva é uma referência no assunto de línguas de sinais indígenas, tendo mapeado em seu mestrado as diferentes línguas usadas no Mato Grosso do Sul. Possui graduação em Pedagogia, mestrado em Linguística, sendo atualmente doutoranda em Linguística Aplicada. É professora da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), na equipe de estudo de Libras, sendo sua área de concentração a Língua Brasileira de Sinais, a Educação do Surdo Indígena e a Cultura Surda.

Víctória Hidalgo Pedroni é militante do feminismo surdo atuante em debates sobre o tema na comunidade surda. É graduada em Letras-Libras, pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e mestranda pela mesma instituição.

Wesley Nascimento é tradutor surdo, graduando em Tradução e Interpretação em Libras-Português (TILSP), na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), com interesse no ensino de Libras como segunda língua para ouvintes. Tem intensa pesquisa nas áreas étnicos-raciais com foco identitário na surdez e negritude. Recentemente apresentou sua pesquisa nesta temática em Moçambique.

Foto: AssessoriaFestival
Festival

é artista surda, poetisa e desenhista. Graduada em Letras-Libras, na Universidade Federal do Pernambuco (UFPE). É professora, tradutora, intérprete e consultora de Libras na área de produções artísticas e comissão do Slam das Mãos para inclusão de surdos e ouvintes. Criadora da página no Instagram Meus Sinais Expressam, onde apresenta poemas visuais.