8 de março de 1911: Nasce Maria Bonita, a primeira mulher cangaceira

Maria Bonita morreu no dia 28 de julho de 1938, no sertão de Sergipe, após ser degolada pela polícia
Por Alexandra Teodoro
Foto: Arquivo8 de março de 1911: Nasce Maria Bonita, a primeira mulher cangaceira
8 de março de 1911: Nasce Maria Bonita, a primeira mulher cangaceira

No dia 8 de março de 1911 nascia, na atual cidade de Paulo Afonso, na Bahia, Maria Gomes de Oliveira, mais conhecida como Maria Bonita. Ela entrou para a história como a primeira mulher a participar de um grupo de cangaceiros e também foi a mulher de Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião, conhecido como o "Rei do Cangaço".

A cangaceira, que podia ser tão brutal quanto seu marido, foi a primeira mulher a integrar o grupo e abriu espaço para que outras fizessem o mesmo

A relação durou oito anos, e o casal teve uma filha, Expedita Ferreira Nunes, que foi criada por um casal de amigos vaqueiros. Depois disso, Maria Bonita engravidou outras vezes, mas sofreu abortos ou os bebês morreram ainda pequenos. Maria Bonita morreu no dia 28 de julho de 1938, no sertão de Sergipe, após ser degolada pela polícia. O mesmo aconteceu com Lampião e outros nove cangaceiros.

Maria Bonita, como foi apelidada pela imprensa após seu falecimento, foi a primeira cangaceira — o que deu abertura para outros grupos de cangaço recrutarem mulheres em suas jornadas. Rompendo com tradições regionais, essas moças largavam suas residências e tinham a oportunidade de se desligar de alguns hábitos impostos ao gênero feminino naquela época.

Dadá foi heroína, guerreira, e única mulher a portar um fuzil no bando de Lampião — que chegou a liderar. E, com Corisco, seu parceiro, resistiu por mais dois anos até o brutal fim da gangue, nas mãos da polícia. Um ícone da rebeldia do cangaço.

A verdade era que Dadá detestava Maria Bonita principalmente devido ao fato de que ela mandava e desmandava no cangaço. Por mais que fosse a rainha do subgrupo de cangaceiros de seu marido, Corisco, Dadá não tinha a mesma autoridade que Maria e, por vezes, era desrespeitada pelos cangaceiros. Dizia que a outra era “abusada, ranzinza, orgulhosa, metida a besta, barulhenta e arrumadinha feito uma boneca”.

No entanto, apesar da abertura feita por ela em sua iniciativa a tornar-se parte do bando, nem todas iam para o cangaço por opção; muitas, após serem raptadas e estupradas, eram forçadas a acompanhar as jornadas das quadrilhas.

Nada feminista - “As mulheres não se apoiavam. [...] Cobrar uma postura feminista delas naquele ambiente me parece que é exigir demais”, explica Adriana Negreiros, autora do livro Maria Bonita: sexo, violência e mulheres no cangaço.

A verdade é que Maria se adaptou ao código de conduta machista do cangaço. Além de ajudar a torturar as vítimas de seu companheiro — por vezes, ela arrancava os brincos das mulheres até rasgar seus lóbulos — ela apoiava fortemente o assassinato mulheres adúlteras.

Maria de Déa andava pelo sertão com as mais diversas joias, que, na época, eram as mais caras de toda a região. Essa riqueza devia-se aos roubos feitos por Lampião em muitas residências, as quais saqueava frequentemente.

Em uma mão, a cangaceira carregava anéis em todos os dedos; na outra, empunhava um revólver Colt calibre 38. Seu punhal de estimação tinha 32 cm e era feito de prata, marfim e ônix, demonstrando o poder que exercia no Nordeste junto com seu parceiro Lampião.

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