Primeira mulher trans a se tornar coronel da Polícia Militar fala da importância

Maria Antônia, de 60 anos, é da reserva remunerada, no Distrito Federal.
Por alexandra teodoro

A Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF) é a primeira do Brasil a registrar uma mulher trans como tenente-coronel da corporação. Maria Antônia, de 60 anos, da reserva remunerada, retificou os dados em seus documentos militares no começo deste mês de fevereiro, e é a única transexual a chegar a tal patente.

Maria Antônia entrou no quadro da PMDF em 1987. Ela foi uma das fundadoras do 5º Batalhão, no Lago Sul, que cuida do policiamento nos setores de embaixadas.

A coronel passou pelo 1º Batalhão, na Asa Sul, pelo 2º Batalhão, em Taguatinga, e pelo 3º Batalhão, na Asa Norte. Atualmente, ela mora no interior do Rio Grande do Sul.

Segundo Maria Antônia, as pessoas trans precisam de mais assistência. "A comunidade é muito desassistida, em vários sentidos, inclusive com relação a aspectos que envolvem saúde, empregabilidade e vulnerabilidade social", afirma.

Foto: assessoriaMaria Antônia conta que foi "muito bem recebida" pela Polícia Militar. "Fui recebida de acordo com a legislação vigente, com respeito. Fui tratada corretamente, no gênero feminino, como mulher, e não houve burocracia.
Maria Antônia conta que foi "muito bem recebida" pela Polícia Militar. "Fui recebida de acordo com a legislação vigente, com respeito. Fui tratada corretamente, no gênero feminino, como mulher, e não houve burocracia.

Maria Antônia passou por um processo de transição e por uma série de intervenções cirúrgicas nos últimos quatro anos, depois de deixar a Polícia Militar. Segundo ela, o processo, conhecido como transição segura, envolve reconhecimento, identificação e aceitação.

"Você precisa se amar, e também ser feliz com a sua essência. Esse é um processo que varia de tempo para cada pessoa, não há um tempo definido", conta.

Ela explica que a transição tem diferentes etapas. "Por exemplo, as questão de acompanhamento médico, psicológico, e eventuais cirurgias. Mas as cirurgias não são um processo obrigatório, e nem definem nenhuma mulher trans ou travesti.

Maria Antônia conta que foi "muito bem recebida" pela Polícia Militar. "Fui recebida de acordo com a legislação vigente, com respeito. Fui tratada corretamente, no gênero feminino, como mulher, e não houve burocracia. Foi uma tramitação rápida, fácil. Eu tenho só a elogiar a forma como fui atendida na corporação", afirma.

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