23 de junho de 1996: PC Farias assassinado

Tesoureiro de campanha presidencial de Fernando Collor de Mello e Itamar Franco nas eleições de 1989
Por Alexandra Teodoro
Foto: ArquivoEle foi o tesoureiro de campanha presidencial de Fernando Collor de Mello e Itamar Franco nas eleições de 1989
Ele foi o tesoureiro de campanha presidencial de Fernando Collor de Mello e Itamar Franco nas eleições de 1989

Em um dia como hoje, no ano de 1996, foi assassinado Paulo César Siqueira Cavalcante Farias, também conhecido como PC Farias.

Ele foi o tesoureiro de campanha presidencial de Fernando Collor de Mello e Itamar Franco nas eleições de 1989. PC foi uma das personalidades chave do primeiro processo de impeachment da América Latina, em 1992.

O empresário foi encontrado morto junto com sua namorada Suzana Marcolino, na praia de Guaxuma, em Alagoas, em 1996. Uma primeira investigação, que teve o relatório do legista Badan Palhares, apontou que Suzana Marcolino matou PC Farias e suicidou-se em seguida. Contudo, este relatório é cercado por polêmicas, e outros profissionais ligados à área criminal acreditam que o que aconteceu foi um assassinato.

PC Farias seria uma das peças-chave de um esquema milionário de corrupção, que foi denunciado em 1992 por Pedro Collor, irmão de Fernando Collor de Mello.

Na noite de 22 de junho de 1996, um sábado, logo depois de passar no cabeleireiro, a alagoana Suzana Marcolino da Silva estacionou seu Fiat Tipo azul-metálico, que havia ganhado de presente do namorado, em frente a uma locadora de vídeos em Maceió.

Com salto alto, penteado de festa, unhas pintadas de vermelho e batom da mesma cor, ela entrou na loja e, alguns minutos depois, saiu de lá com uma fita VHS dentro de uma sacola plástica.

Suzana conferira a prateleira dos lançamentos e decidira-se pelo filme O Assassino, de James Lemmo, thriller que gira em torno de um misterioso homicídio e sua consequente investigação, na qual se busca desvendar se o assassinato em questão tratava-se ou não de um crime passional.

De volta ao carro, Suzana deu a partida e rumou para a casa de praia onde o namorado, Paulo César Farias, o PC, a esperava para jantar. Os dois beberam uísque, vinho, champanhe e comeram camarão até cerca de 0h30, acompanhados de um irmão de PC, Augusto, e da namorada deste, Milane.

Suzane jamais assistiria ao filme que alugara no início daquela noite. Na manhã seguinte, por volta das 11h, ela e Paulo César seriam encontrados mortos, na cama, cada qual com um tiro no peito.

A versão oficial, dada pela polícia de Alagoas, é que, em meio a uma crise de ciúme, Suzana tenha atirado no namorado e, em seguida, apontado o cano curto do revólver de marca Rossi, calibre 38, contra o próprio corpo e puxado o gatilho. Mesmo na época, muitos acharam difícil de engolir.

A tese concorrente é a de que o homicídio seguido de suicídio não passou de uma farsa, providencialmente armada para encobrir o verdadeiro assassino. Durante anos, os dois lados em contenda agarram-se a laudos divergentes, elaborados por diferentes equipes de peritos que, durante a investigação das mortes de Paulo César e Suzana, debruçaram-se sobre o cenário do crime. 

“Não tenho dúvidas de que havia mais alguém na cena do crime, além de PC e Suzana. Foi essa terceira pessoa quem matou os dois”, afirma o jornalista Lucas Figueiredo, autor do livro Morcegos Negros: PC Farias, Collor, Máfias e a História que o Brasil Não Conheceu.

Caixa-preta humana

Pelo menos em um ponto os dois lados estavam de acordo: logo após o anúncio da morte de PC Farias, a suspeita de queima de arquivo tornou-se quase inevitável. PC era uma espécie de caixa-preta humana, depositário de alguns dos mais bem-guardados segredos do esquema de corrupção que escandalizara o Brasil e que, menos de quatro anos antes, em 1992, levara ao processo de impeachment e à renúncia do ex-presidente Fernando Collor de Mello.

Tesoureiro da campanha de Collor à Presidência, PC Farias tornou-se a eminência parda do novo governo, organizando um caixa 2 estimado pela Polícia Federal em cerca de 1 bilhão de dólares. A fortuna era proveniente de uma rede de dinheiro sujo que chegou a manter conexões com a máfia italiana e o crime organizado internacional.